Na minha escola, sinto-me bem!
- jointofficeblog
- 2 de fev. de 2023
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A Escola Secundária Pedro Gomes (ESPG), na cidade da Praia, é um dos maiores e bem sucedidos exemplos de inclusão educativa. Em 2019, o Agrupamento Escolar III, do qual esta escola faz parte, venceu o primeiro lugar na categoria Instituição Educativa Inclusiva e Cidadã no concurso Selo de Qualidade em Educação.
Drica, Livia e Denilson são três adolescentes com deficiência, que estudam na ESPG. Eles estudam e aprendem na mesma sala que os seus colegas.
Drica tem 15 anos é invisual e estuda o 9º ano na Escola Secundária Pedro Gomes. Ela senta-se bem incluída na sua escola e na sala de aulas, mas gostaria que os constrangimentos que existem pudessem ser resolvidos.
“Precisamos de alguns materiais, por exemplo, para as aulas de tecnologia, informação e computadores. Precisamos de computadores com programas adaptados para invisuais”, pede a Drica, no que é apoiada pelo Denilson, de 13 anos.

Por sua vez, Lívia que estuda o 11º ano e é surda, diz sentir-se incluída na escola e nas atividades.
“Aqui na escola me sinto incluída, me sinto bem, tenho muitos amigos. Na sala de aula, os professores me ajudam muito, há intérpretes que traduzem o que os professores falam, participo nos trabalhos de grupo, faço os meus trabalhos individuais”, diz a menina que após terminar o liceu quer fazer uma formação sobre culinária e depois ser chef de cozinha.
PAIXÃO PELA INCLUSÃO

Outro exemplo onde se trabalha a inclusão é na ACARINHAR –Associação das Famílias e Amigos das Crianças com Paralisia Cerebral-, onde a pequena Sadjó Tamires, de 7 anos, com uma deficiência de foro neurológico, recebe sessões de terapia ocupacional que a ajudam a realizar atividades do dia-a-dia como falar, contar, desenhar e responder às perguntas lhe que são colocadas.
Teresa Mascarenhas, presidente da ACARINHAR resolveu abraçar a causa da inclusão de crianças com paralisia cerebral para que estas possam ter que fale por elas, reivindique os seus direitos que são bastante violados.
Outra razão tem a ver com a convicção de que a maioria das crianças com paralisia cerebral não são limitadas a nível intelectual, mas sim a nível motor, e com estímulos, elas são capazes de mostrar e desenvolver o seu potencial de aprendizagem.
“Durante a realização da monografia, percebi o quanto é importante a fisioterapia na reabilitação das crianças com paralisia cerebral. Percebi ainda que a nível intelectual, estas crianças são normais, as vezes o problema maior está na parte motora. Aí, entendi que não podia meter a tese na gaveta, tinha que fazer alguma coisa.”, explica a especialista em comunicação acessível.

E assim, Teresa, que aprendeu, no mestrado, a comunicação aumentativa e alternativa, resolveu, primeiro, fundar a ACARINHAR e, mais tarde, desenvolveu um projeto de criação de recursos para possibilitar que crianças com necessidades especiais pudessem ter acesso ao conhecimento. Começou com a adaptação da cartilha Cidadão Pikinoti, com o apoio da Comissão Nacional para os Diretos Humanos e Cidadania.
Para dar continuidade ao trabalho da ACARINHAR, Teresa advoga por mais espaços, equipas multidisciplinares, transporte e materiais de linguagem inclusiva para as instituições que trabalham com estas crianças.
GANHOS DA INCLUSÃO

Para assegurar essa inclusão e permitir que dezenas de crianças com deficiência possam frequentar uma escola e aprender Cabo Verde tem vindo a investir significativamente no setor da educação inclusiva. Os sucessivos governos, com o apoio do UNICEF, têm feito investimentos significativos no setor da educação inclusiva, para que todas as crianças com necessidades especiais possam aprender na mesma sala aula que outras crianças e se sintam seguras.
Com o apoio do UNICEF, Cabo Verde tem vindo a fazer investimentos significativos para assegurar a educação inclusiva, através da implementação do sistema de sinalização de crianças e adolescentes com necessidades especiais, implementação das equipas multidisciplinares de suporte à educação inclusiva e formação de docentes.
A proposta do Regime Jurídico da Educação Inclusiva, no qual constam o Sistema de Sinalização de crianças e jovens com NEE e a regulamentação da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva (EMAEI) foram desenvolvidas no âmbito de uma consultoria internacional, financiadas pelo UNICEF.




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