Doar amor com gosto à leite
- jointofficeblog
- 7 de ago. de 2023
- 3 min de leitura

Maria Izabel Pires é colaboradora do UNICEF Cabo Verde, no portefólio da Saúde e Desenvolvimento da Criança. Mãe de um bebé de 9 meses, Izabel foi, por sete meses, doadora do Banco de Leite Humano do Hospital Universitário Agostinho Neto. Tudo começou com um acontecimento que envolveu um recém nascido, quando ela foi dar à luz.
“Comecei a doar leite 24 horas após o parto, ainda no hospital porque o parto foi cesariana. Um bebé recém-nascido chorou a noite toda porque a mãe dela não tinha leite. No momento, resolvi a doar leite para ajudar os bebés cujas mães não tiveram a mesma sorte que eu e evitar que ficassem desnutridos. Assim, tirava um fraco de leite todos os dias para doar para o banco de leite, durante 7 meses”, conta Maria Izabel, que não teve dificuldades em amamentar.
Porem, enfrentou, como a maior parte das mães trabalhadoras, o desafio de conciliar a amamentação e o trabalho, após o término da licença de maternidade e o regresso ao local de trabalho. Mas jamais deixou de alimentar o seu bebé com o leite materno.
“O maior desafio foi quando tive de reiniciar o trabalho e deixá-lo em casa, aos cuidados de outras pessoas. Isso me angustiava muito por ele ser tão pequeno, mas com apoio da minha família tudo correu bem. Tiro o leite de manhã, coloco no frasco de vidro e deixo no frigorifico. Depois vou a casa a hora do almoço e dou-lhe o peito, extraindo novamente e deixando o leite que dá até eu regressar do trabalho. Assim, dessa forma, consegui fazer uma amamentação exclusiva até aos seis meses de idade.”
Maria Izabel cuida da nutrição do seu bebé. Agora com 9 meses, o bebé já come sopa de legumes, papas e frutas, complementando com o leite materno nos intervalos das refeições.

UM GRANDE PASSO:
PAIS TAMBÉM CONTAM
Cabo Verde deu um grande passo na licença de maternidade, permitindo as mães terem mais tempo para ficar em casa e amamentar os seus filhos apenas com o leite materno. A licença, que era de dois meses, passa a ser de três meses. Vladmir Silves Ferreira, professor universitário, é um dos mentores da petição pública que pedia a alteração da licença de maternidade e a introdução da licença de paternidade. Sete anos depois de ter lançado a petição, o desejo torna-se realidade.
"É com satisfação e sentimento de dever cumprido que tomo conhecimento da publicação da alteração do Código Laboral Cabo-verdiano, que contempla o alargamento da licença de maternidade para 90 dias e a introdução de 10 dias de licença de paternidade. A meta era alcançar os 120 dias de licença de maternidade, conforme as orientações da OMS, mas demos um importante passo em frente ao aumentarmos de 60 para 90 dias. Relativamente à licença de paternidade trata-se do primeiro ato de reconhecimento da importância do papel do pai na vida do filho(a) desde os primeiros momentos da sua existência. Não faz sentido apelar-se à uma maior responsabilidade parental sem um quadro legal adequado", diz o professor na sua rede social do Facebook.
Porém, essa medida ainda abrange apenas as mulheres que trabalham no setor publico, deixando as que trabalham no setor privado numa situação desigual. Mas o governo, através do Ministro da Família, Fernando Elísio Freire, anunciou que vai alargar as novas regras ao sector privado, abrangendo os trabalhadores que se regem pelos contratos de trabalho do Código Laboral, enquanto o Governo vai trabalhando para concretizar uma reforma mais profunda do Código Laboral ainda este ano. ©Texto: Natacha Magalhães, Communication Analyst do Escritório Conjunto do PNUD, UNFPA e UNICEF. Fotos gentilmente cedidas por Maria Izabel Pires.




Comentários