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Quebrar tabus para aproximar os jovens aos serviços de saúde reprodutiva

  • jointofficeblog
  • 9 de ago. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 11 de ago. de 2022


O crescente número de adolescentes grávidas, aliado à baixa procura pelos centros de saúde reprodutiva, por parte dos jovens, levaram Vera Barros e Neusa Leal a idealizaram o projeto Clínica Jovem, que visa oferecer um serviço mais humanizado e orientado para a juventude, por forma reduzir a taxa de gravidez precoce. Este foi um dos dez projetos de impacto social selecionados pela iniciativa Youth Challenge for SDG (Jovens pelos ODS), promovida pelo IDJ e pelo Escritório Conjunto do PNUD, UNFPA e UNICEF Cabo Verde. Aquilo que não tiveram na adolescência, um espaço de orientação em saúde sexual e reprodutiva, levou-as a idealizar o projeto. Na Universidade, desenharam a Clínica Jovem como trabalho de fim de curso. Porém, a escassez de tempo não permitiu que as duas o entregassem. Mas a solução para a sua materialização veio logo depois, quando tomaram conhecimento da iniciativa Youth Challenge for SDG. “Inscrevemo-nos de imediato e a Clínica Jovem foi um dos projetos vencedores.Recebemos um montante de 300 contos para implementarmos o projeto. O prémio é o que precisávamos para iniciarmos o projeto e ir trabalhando, visando o seu alargamento e sustentabilidade” explica Neusa Leal. A Clínica Jovem terá duas vertentes. A primeira, a prestação de um serviço de cariz social, através de um gabinete de orientação sexual para os adolescentes,gabinete este que já se encontra a funcionar na Escola Secundaria Manuel Lopes, cidade da Praia. A segunda, mais relacionada com a área da formação das duas, consiste na instalação de um posto clínico de consultas às grávidas, adolescentes, entre outros serviços. explicam. Uma outra vertente que querem acrescentar ao projeto é a realização de ações de formação de curta e longa duração com a finalidade de ter uma população mais informada a nível de saúde.


QUEBRAR TABUS,ELIMINAR O MEDO

Vera e Neusa querem que os adolescentes tenham a oportunidade que elas nãotiveram na adolescência, em termos de acesso à informações ligadas a saúde sexuale reprodutiva. Todavia, estão conscientes de que é preciso mudar a forma como osserviços de saúde sexual e reprodutiva são vistos pelos jovens e pelos adultos, eque acaba por redundar numa fraca afluência destes àqueles espaços.


“Os adolescentes entendem que quem os ver nas consultas de planeamento familiarvão entender que eles já iniciaram a vida sexual, então sentem medo e vergonhade serem vistos e, consequentemente, surge a insegurança em frequentar asconsultas de planeamento familiar”, explica Neusa para quem os tabus criados pelasociedade em relação à sexualidade e as barreiras na comunicação em torno dequestões relacionadas com a educação sexual origina a baixa adesão ou mesmo aadesão tardia dos adolescentes e jovens às consultas de planeamento familiar.


As duas estão cientes de que o tabu tem a ver com a cultura das sociedades e sendodifícil de ser mudado de uma hora para outra, é preciso ir sensibilizando eengajando os jovens através da criação, nas escolas, de gabinetes de orientaçãosexual reprodutiva. Vera e Neusa acreditam que estes gabinetes são espaços ondeos adolescentes podem se sentir seguros e confiantes.


Neusa e Vera já têm planos para o futuro: levar o projeto da Clínica para outrasescolas e para fora da ilha de Santiago. Por outro lado, querem incluir tambémadolescentes e jovens que se encontram fora das escolas e rapazes, já que estes,consideram “muito raramente vão às consultas de planeamento familiar.”


ASSUMIR O PROTAGONISMO

Questionadas sobre como encaram a participação dos jovens na vida do país, asduas jovens dizem que esta tem sido baixa, motivada por barreiras que dificultamum maior envolvimento, nomeadamente falta de financiamento e de parcerias.Porem, acreditam que cabe aos jovens protagonizarem a própria mudança eassumirem o seu papel no desenvolvimento das comunidades.


“Os jovens devem apostar em causas sociais que podem ser através de projetos.Trata-se de um caminho com desafios, dificuldades, mas, no entanto, crucial parao desenvolvimento do mesmo também de competências para a empregabilidadetais como a adaptação, proatividade, determinação, liderança e resiliência."


O Youth Challenge for SDG é promovido pelo Instituto para o Desporto e para a Juventude, em parceria e com o apoio financeiro do Escritório Conjunto do PNUD,UNICEF e UNFPA, no quadro do programa Youth Conneckt Cabo Verde. A mesma visa fomentar a participação e o engajamento dos jovens universitários no desenvolvimento do país, bem como potenciar o conhecimento académico para criação de soluções inovadoras e sustentáveis. Além disso, pretende estimular a criatividade, experimentação e a competitividade para criação de pequenos projetos que tenham impacto no desenvolvimento das comunidades.

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